quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Produção científica do Brasil ultrapassa a da Rússia, indica levantamento

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Plantação de milho transgênico

Produção científica brasileira é forte na área de agricultura

A produção científica brasileira ultrapassou a da Rússia, antiga potência na área, caminha para superar também a da Índia e se consolidar como a 2ª maior entre os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), segundo levantamento feito pela Thomson Reuters.

O levantamento acompanhou a produção científica nos quatro países com base na análise das 10.500 principais revistas científicas do mundo.

Segundo a pesquisa, a produção brasileira avançou de 3.665 para 30.021 artigos científicos publicados entre 1990 e 2008. No mesmo período, a produção russa manteve-se estável – o número de 1990, de 27.603 artigos, é praticamente o mesmo que o de 2008 – 27.605 artigos.

A produção científica da Índia, que em 1990 contabilizava 13.984 artigos publicados, chegou a 38.366 artigos em 2008.

Se o índice de aumento da produção científica dos países se mantiver, o Brasil deverá ultrapassar a Índia nos próximos anos.

O levantamento indica ainda que a produção científica chinesa, que em 1990 ainda estava atrás da russa e da indiana, com 8.581 artigos, chegou a 2008 com 112.318 artigos, numa expansão que, se mantida, verá a China ultrapassar os Estados Unidos e se tornar líder mundial em produção científica até 2020.

Dados revisados

Segundo Jonathan Adams, diretor de avaliação de pesquisas da Thomson Reuters, os dados dos levantamentos foram revisados após 2007, para evitar que a base de revistas científicas analisadas refletisse um viés pró-países desenvolvidos.

“A revisão dos dados levou a uma considerável elevação do número de artigos científicos de China, Brasil e Índia. Porém essas elevações refletiram tendências já evidentes nos dados, em vez de mudar a trajetória geral”, explicou Adams à BBC Brasil.

Segundo ele, os dados dos últimos anos já indicavam que a produção brasileira superaria a russa, o que ficou expresso nos números de 2008, mas ele observa que, se a base de análise já tivesse sido revista antes, isso já teria acontecido há vários anos.

De acordo com os últimos dados compilados, de 2008, a produção científica brasileira naquele ano representou 2,6% do total de 1.136.676 artigos publicados em todas as 10.500 revistas analisadas. Em 1990, o Brasil tinha apenas 0,6% da produção mundial.

A produção científica americana - 332.916 artigos em 2008 - ainda representa 29% de todos os artigos publicados no mundo, enquanto a chinesa é de 9,9%. Em 1990, porém, os Estados Unidos tinham 38% de toda a produção científica mundial, enquanto a China respondia por apenas 1,4% do total.

No mesmo período, a produção russa, que já foi considerada uma das mais avançadas do mundo, passou de 4,7% do total em 1990 para apenas 2,4% em 2008.

A produção indiana, por sua vez, teve sua participação no total mundial elevada de 2,3% para 3,4% no período, numa elevação proporcionalmente menor que as da China e do Brasil.

Gastos

Em sua análise da produção científica do Brasil, a Thomson Reuters observa que os gastos com pesquisa e desenvolvimento no Brasil chegaram em 2007 a quase 1% do PIB, proporção inferior aos cerca de 2% gastos nos Estados Unidos e na média dos países de desenvolvidos, mas ainda bem acima de outros países latino-americanos.

Segundo o levantamento, o Brasil tem 0,92 pesquisador para cada mil trabalhadores – bem abaixo da média de 6 a 8 pesquisadores por mil trabalhadores dos países do G7, o grupo das nações mais industrializadas do planeta.

Apesar disso, o documento afirma que a proporção brasileira é semelhante à de outros países em desenvolvimento, como a própria China, e que a base de pesquisadores vem crescendo.

Segundo a Thomson Reuters, o Brasil formou cerca de 10 mil novos pesquisadores doutores no último ano analisado, num crescimento de dez vezes em 20 anos.

O levantamento indica ainda que a produção científica do país é mais forte em áreas como pesquisas agrícolas e ciências naturais.

Entenda a polêmica entre o governo da Venezuela e o canal RCTV

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Protesto em Caracas

Estudantes saíram às ruas para protestar contra suspensão da RCTV

O canal de televisão RCTV e outras cinco emissoras tiveram seus sinais suspensos na madrugada do domingo por determinação do governo do presidente Hugo Chávez.

A Comissão Nacional de Telecomunicações (CONATEL) - organismo que regulamenta a radiodifusão no país - argumenta que esses canais desrespeitaram as novas regras para transmissão por cabo, que prevê entre outras mudanças, a difusão obrigatória de cadeias nacionais e limita os anúncios publicitários.

A suspensão do sinal do canal RCTV, considerado um dos principais opositores do governo, foi vista pela oposição como um novo ataque à liberdade de expressão. Estudantes anti-governo, apoiados por partidos políticos opositores, sairam às ruas para protestar contra a medida. Dois estudantes simpatizantes do governo morreram durante enfrentamentos entre grupos pró e anti-Chávez.

Para entender a nova disputa entre o canal RCTV e o governo venezuelano, a BBC Brasil preparou uma série de perguntas e respostas sobre a polêmica:

Porque seis canais foram tirados do ar, incluindo a RCTV?

No dia 23 de dezembro foi firmado um decreto que complementa a Lei de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão. As novas regras determinavam que os canais teriam até quinze dias para apresentar-se à Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) e protocolar seu pedido de inclusão ao grupo de produtores nacionais ou internacionais.

Os canais que não compareceram, como a RCTV ou a TV Chile, por exemplo, foram qualificados automaticamente como produtor nacional. Como produtores nacionais, as emissoras teriam de respeitar a legislação interna, o que não ocorreu, segundo o governo.

Dois dias antes da suspensão das transmissões dos seis canais, o diretor da Conatel advertiu que as emissoras teriam de enquadrar-se à legislação, do contrário, seriam tiradas do ar.

A RCTV e os canais os canais Sport Plus, Momentum, Ritmo Son, America TV, TV Chile e American Network foram tirados do ar à meia-noite do sábado, 23 de janeiro.

Quando um canal é considerado Produtor Nacional na Venezuela?

São considerados como produtores nacionais aquelas emissoras com 70% ou mais de produção nacional, que seja realizada com capital, pessoal técnico, artístico e que sejam produzidas em locações venezuelanas.

Neste caso, os canais devem se submeter à legislação nacional, que prevê a transmissão de cadeias nacionais e mensagens governamentais, estabelece limites para a transmissão publicitária e regulamenta a programação por recomendação por faixa etária, entre outras normas.

Para constatar se uma emissora é nacional ou internacional, a Conatel avaliou o conteúdo de programações durante quatro meses consecutivos e constatou, no caso da RCTV, que 94% da programação era de conteúdo nacional e apenas 6% internacional.

A RCTV por sua vez, alega que desde o dia 13 de janeiro sua programação contém 71% de conteúdo internacional e 29% de programação nacional, equação gerada depois da avaliação realizada pela CONATEL.

A decisão é definitiva? Os canais poderão voltar ao ar?

A Conatel afirma que a suspensão é transitória e pode ser revertida se a RCTV e os demais canais se apresentarem ao organismo, solicitando seu registro como produtor nacional audiovisual. As emissoras também devem firmar um documento comprometendo-se a cumprir a lei.

De acordo com o deputado oficialista Manuel Villalba, cinco, dos seis canais suspensos, já apresentaram documentos para regularização de suas transmissões, com exceção da RCTV.

A RCTV decidiu por enquanto não negociar e espera pelo resultado de uma liminar pedida ao Supremo Tribunal de Justiça para que se respeite sua condição de canal internacional.

O que diz a novas regra sobre a publicidade na televisão?

Um dos principais pontos de controvérsia na nova disputa entre governo e o canal RCTV se refere às normas publicitárias. Um decreto firmado no dia 23 de dezembro de 2009 estabelece que a difusão de publicidade nos canais nacionais transmitidos por cabo só poderá ocorrer entre um programa e outro e não mais ao longo da programação, durante os blocos, como costuma ocorrer no sinal aberto.

Para a RCTV essa regra afeta a economia do canal e colocaria em risco sua sustentabilidade financeira.

De acordo com o diretor da Conatel, Diosdado Cabello, essa normativa foi resultado de uma consulta pública com a Comissão de Usuários, que se "queixava" do excesso de publicidade entre os programas.

Quando começou a queda-de-braço entre governo e o canal RCTV?

A disputa entre o Executivo e o canal privado RCTV, que chegou a ser um dos mais populares no país, teve início durante o frustrado golpe de Estado de abril de 2002. Os canais de televisão privados foram acusados pelo governo de participar da conspiração que culminou com o breve derrocamento de Hugo Chávez.

Em 2005 foi promulgada a Lei de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão que estabeleceu uma série de novas regras para os comunicadores venezuelanos. Em maio de 2007, sob o argumento de que a RCTV não respeitou a legislação, o governo não renovou a concessão da emissora, que perdeu o direito à transmissão em sinal aberto.

Desde então, com o nome de RCTV Internacional, a emissora passou a transmitir sua programação por TV a cabo, sem estar submetida à legislação nacional. O caráter internacional do canal sempre foi questionada pelo Executivo devido ao conteúdo da programação. No entanto, o Supremo Tribunal de Justiça determinou que a RCTV poderia funcionar sem enquadrar-se às regras internas, até que a Conatel decidisse, pela via legal, o que era um Produtor Nacional Audiovisual. Essa definição saiu em 23 de dezembro e desatou a atual contenda.

Companhia aérea terá camas de casal na classe econômica

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Air New Zealand

A ideia é atrair casais ou famílias pequenas, que poderiam dormir juntos

A companhia aérea neozelandesa Air New Zealand anunciou nesta terça-feira que vai oferecer assentos que viram camas na classe econômica de alguns de seus aviões.

Segundo a empresa, este é o avanço mais significativo em termos de conforto para viajantes da classe econômica dos últimos vinte anos.

As camas são formadas quando os descansos para os pés em três poltronas, uma ao lado da outra, são elevados até o nível dos assentos.

Um cobertor e travesseiros completam o pacote.

Os interessados precisariam comprar os três assentos, mas a companhia está oferecendo o terceiro pela metade do preço.

A ideia é atrair casais ou famílias pequenas, que poderiam dormir juntos.

Preço

A cama econômica foi desenvolvida por engenheiros da Air New Zealand. Cerca de um quarto dos assentos da classe econômica de todos os aviões que fazem as rotas de longa duração serão convertidos.

Eles ocuparão as primeiras 11 fileiras da classe econômica nos novos aviões Boeing 777-300 da empresa.

As camas econômicas estarão à venda a partir de abril.

Para se ter uma ideia dos custos, um casal viajando da Nova Zelândia para a Grã-Bretanha pagaria em torno de US$ 10,8 mil por uma "cama" na classe econômica - ou seja, US$ 5,4 mil cada um.

Passageiros que viajam deitados na classe business pagariam por volta de US$ 7,1 mil cada um pelo mesmo trajeto, e um assento comum na classe econômica custaria quase US$ 4,3 mil.

Dono de 'melhor restaurante do mundo' cria picolé de caipirinha

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A caipirinah comestível é vendida em um restaurante de Madri

O conhecido chef espanhol Ferran Adriá apresentou em um congresso de gastronomia em Madri um picolé de caipirinha.

O picolé é apresentado como parte de um aperitivo num copo com gelo picado nas bordas. O palito, de um centímetro de espessura, é cortado de cana de açúcar. Os ingredientes da caipirinha - cachaça, raspadura de lima e açúcar demerara - são congelados com uma técnica do nitrogênio líquido, desenvolvida por Adriá.

Por último, o palito é salpicado com cristais de ácido cítrico granulado e servido no copo com gelo. O coquetel deve ser mastigado para se saborear a combinação dos elementos

Adriá, dono do famoso restaurante El Bulli, tido há quatro anos consecutivos como o melhor do mundo pela Restaurant Magazine, apresentou e disponibilizou a novidade para degustação do público do Madri Fusión 2010 durante sua aula-palestra no seminário “Teatro das ideias” do fórum gastronômico.

A caipirinha comestível é vendida no seu estaurante, onde o preço médio para um jantar individual está em torno de R$ 1 mil (312 euros).

Fechamento do El Bulli

A versão moderna da caipirinha não foi a única surpresa do primeiro dia do congresso Madri Fusión.

Adriá anunciou o fechamento provisório de seu restaurante. Eleito por quatro anos consecutivos o melhor do mundo, El Bulli, estará fechado durante os anos de 2012 e 2013 para transformar-se em "laboratório de investigação da alta cozinha".

O chef espanhol disse que em “2012 El Bulli fará 50 anos e o momento exige novos desafios para terminar um ciclo e começar outro”.

Para o restaurante que só funciona durante seis meses por ano e tem média de espera para reserva de quatro meses, a proposta é reabrir em 2014 com idéias que revolucionem ainda mais a cozinha futurista de Adriá.

O congresso Madri Fusión que reúne vários dos melhores chefs do mundo promete ainda novidades em sabores e apresentações para alta cozinha, especialmente usando como ingredientes básicos champanhe, caviar, trufas e outros elementos colhidos em bosques.

No seleto clube dos participantes do evento há apenas um restaurante brasileiro: D.O.M. de São Paulo, cujo chef é o paulista Alex Atala.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Chance de encontrar extraterrestres é maior do que nunca, diz astrônomo britânico

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Telescópios de projeto para busca de vida fora da Terra

Cientistas vêm tentando há décadas detectar vida fora da Terra

As chances de se descobrir vida fora da Terra são maiores do que nunca, segundo afirma Martin Rees, o principal astrônomo britânico e presidente da Royal Society, a academia de ciências da Grã-Bretanha.

A Royal Society organiza a partir desta segunda-feira em Londres uma conferência com pesquisadores de várias partes do mundo para discutir as perspectivas de se encontrar formas de vida extraterrestres.

Segundo Rees, que em 1995 foi agraciado com o título de Astrônomo Real, uma descoberta como essa poderia representar um momento de mudança para a humanidade, alterando nossa visão de nós mesmos e de nosso lugar no cosmos.

Cientistas de todo mundo vêm analisando sinais do espaço em busca de emissões de ondas de rádio transmitidas por seres inteligentes fora da Terra, mas tudo o que conseguiram captar até hoje foi estática.

Avanços

Martin Rees

Martin Rees tem desde 1995 o título de Astrônomo Real

Para Rees, porém, o avanço tecnológico torna maior do que nunca a possibilidade de que essa busca se mostre frutífera.

“A tecnologia avançou tanto que pela primeira vez nós podemos realmente ter a esperança realista de detectar planetas não maiores do que a Terra orbitando outras estrelas”, diz Rees.

“Poderemos saber se eles têm continentes e oceanos, descobrir que tipo de atmosfera têm. Apesar de ser um longo passo para sermos capaz de descobrir sobre qualquer forma de vida nesses planetas, é um progresso tremendo ser capaz de ter algum tipo de imagem de outro planeta, semelhante à Terra, orbitando outra estrela”, observa.

Segundo ele, o envio ao espaço de telescópios capazes de detectar planetas semelhantes à Terra no entorno de estrelas distantes agora torna possível concentrar mais os esforços de busca.

“Se encontrássemos vida, mesmo a forma mais simples de vida, em outros lugares, isso seria claramente uma das maiores descobertas do século 21”, diz Rees.

“Desconfio que pode haver vida e inteligência lá fora em formas que não podemos imaginar. E poderia, claro, haver formas de inteligência aquém da capacidade humana, mais avançada do que somos avançados em relação a um chimpanzé”, afirma.

Número de vítimas no Haiti ultrapassa 150 mil, diz governo

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Vítima do terremoto é carregada em maca no Haiti

Apenas um quarto dos haitianos que precisam de comida estão recebendo ajuda, diz ONU

As autoridades haitianas informaram que a contagem de mortos do terremoto do último dia 12 já ultrapassou 150 mil e que este número continuará subindo.

O dado foi apresentado pela ministra das Comunicações, Marie-Laurence Lassegue, que alertou ser difícil fazer uma estimativa sobre o número final das vítimas fatais.

“Ninguém sabe quantos corpos estão soterrados nos escombros – 200 mil, 300 mil? Quem é que sabe a contagem total de mortos?”, disse a à agência Associated Press no domingo.

Em entrevista à BBC Brasil a ministra desmentiu a informação fornecida pela ONU de que as buscas por vítimas nos escombros tenham sido interrompidas.

“O presidente nunca interrompeu as buscas, nem o primeiro-ministro. E ontem (sábado) nós encontramos um homem vivo sob os escombros”, afirmou Lassegue à enviada da BBC Brasil Fabrícia Peixoto.

Resgates

Segundo comunicado do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha, na sigla em inglês) publicado na sexta-feira, depois de três dias seguidos sem conseguir resgatar ninguém com vida, o governo haitiano teria declarado o fim das buscas.

Ninguém sabe quantos corpos estão soterrados nos escombros – 200 mil, 300 mil? Quem é que sabe a contagem total de mortos?

Marie-Laurence Lassegue, ministra das Comunicações do Haiti

Até então, 132 pessoas haviam sido salvas dos escombros no país.

Além delas, duas vítimas foram resgatadas com vida na própria sexta-feira. Emmannuel Buso, de 21 anos, e Marie Carida, de 84, foram salvos dez dias depois do terremoto.

Horas depois do suposto fim das buscas, outra vítima foi retirada dos escombros com vida. Wismond Exantus, de 24 anos, sobreviveu porque se refugiou sobre uma mesa quando o hotel em que trabalhava desmoronou. Ele passou 11 dias se alimentando de biscoitos e Coca-Cola.

Transferência

As autoridades haitianas vêm estimulando a população de Porto Príncipe a deixar a capital rumo a outras regiões menos afetadas pelo terremoto.

O Ocha informou que cerca de 225 mil pessoas já usaram o transporte gratuito fornecido pelo governo para deixar a região.

Enquanto isso, 800 mil desabrigados permanecem em acampamentos improvisados na região de Porto Príncipe.

Segundo a ONU, embora meio milhão de haitianos venham recebendo alimento doado pela comunidade internacional, o número total de pessoas que precisem de comida deve chegar a 2 milhões.

A entidade também relata que 90% das escolas da capital e 60% no entorno foram destruídas pelo terremoto, afetando cerca de 500 mil crianças.

Ajuda brasileira

Ao contrário do que a mídia pode pensar, o Brasil não está preocupado com a liderança regional, mas sim em ajudar o Haiti

Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse no sábado, durante visita ao Haiti, que o Brasil não está preocupado com a liderança regional, mas sim com a reconstrução do Haiti.

“Ao contrário do que a mídia pode pensar, o Brasil não está preocupado com a liderança regional, mas sim em ajudar o Haiti, com respeito aos mandatos internacionais e com respeito ao governo do Haiti”, disse o ministro brasileiro.

Para Amorim, “é importante que o povo do Haiti sinta que seu governo, o governo que ele elegeu, é o governo que está conduzindo (o processo de reconstrução), naturalmente com o apoio da comunidade internacional”.

O chanceler revelou também que o Brasil deve fornecer mais US$ 15 milhões ao país caribenho. O país já havia aprovado um auxílio com o mesmo valor logo depois do terremoto, dos quais US$ 5 milhões já estão com as Nações Unidas.

O ministro segue nesta segunda-feira para Montreal, no Canadá, onde participará de uma conferência da comunidade internacional para discutir os planos de reconstrução do Haiti.

Apresentadora britânica tenta cruzar Amazonas de caiaque

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Helen Skelton em seu caiaque no início da travessia

Helen Skelton começou a travessia na última quarta-feira

A apresentadora de um programa infantil da BBC quer navegar mais de 3 mil quilômetros pelo rio Amazonas remando sozinha em um caiaque.

Helen Skelton, de 26 anos, apresentadora do programa Blue Peter, iniciou o desafio na semana passada em Nauta, no Peru, e espera concluir a travessia até Almeirim, no Brasil, em seis semanas.

Se concluir a navegação dos 3.235 quilômetros planejados, Skelton deverá ter seu feito reconhecido pelo Guinnes World Records como a maior travessia solo em caiaque.

A travessia faz parte de um desafio britânico bienal chamado Sport Relief, no qual personalidades são encorajadas a realizar feitos esportivos e arrecadar doações para ajudar pessoas necessitadas.

Jiboias, piranhas e jacarés

Helen Skelton antes da travessia, ao lado do rio Amazonas

A apresentadora diz não se preocupar com os desafios da travessia

No trajeto pelo Amazonas, Skelton poderá encontrar jiboias de seis metros de comprimento, cardumes de piranhas e jacarés, além de estar exposta a um ambiente com alto risco de infecção por malária.

Apesar disso tudo e de não ter experiência prévia em grandes travessias em caiaque, ela não diz não estar assustada com o desafio.

"As pessoas dizem que isso não pode ser feito, mas preocupar-me com isso não vai tornar a travessia mais fácil ou encurtar a distância”, disse ela, antes de iniciar a descida do rio.

“Até dois meses atrás, eu só tinha entrado uma vez em um caiaque”, diz a apresentadora.

Ela diz esperar que sua travessia incentive outras pessoas a deixar suas “zonas de conforto” para seguir seu exemplo.

Suspensão de TV provoca protestos pró e anti-governo na Venezuela

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Estudantes durante protesto contra suspensão da RCTV em Caracas

Estudantes fizeram passeata até a sede da Conatel para protestar

A retirada do canal venezuelano RCTV do ar pela segunda vez em menos de três anos, no domingo, provocou fortes manifestações de opositores e simpatizantes do presidente Hugo Chávez em Caracas e outras cidades da Venezuela nesta segunda-feira.

Um jovem de 15 anos, que participava de uma manifestação pró-governo no Estado de Mérida, teria morrido ao ser atingido por disparos, segundo afirmou o ministro do Interior, Tareck El Aissami.

O governo suspendeu o sinal da RCTV e de outros seis canais internacionais na TV a cabo na madrugada de domingo, alegando que eles desrespeitaram as novas regras que determinavam a transmissão de cadeias nacionais e mudanças no conteúdo de publicidade.

A RCTV já havia deixado de operar como TV aberta em 2007, quando o governo venezuelano decidiu não renovar a licença. A emissora, então uma das mais populares do país, era acusada pelo governo de ter participado da conspiração que levou ao frustrado golpe de Estado contra Chávez em abril de 2002.

O governo venezuelano afirmou nesta segunda-feira que os canais que tiveram seus sinais suspensos poderão voltar ao ar se cumprirem com as condições oficiais.

Em Washington, o embaixador venezuelano para a Organização dos Estados Americanos (OEA), Roy Chaderton, rechaçou um comunicado da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que condenou neste fim de semana a suspensão da RCTV.

Para Chaderton, a CIDH tentou “comprazer uma vez mais os incuráveis golpistas, representantes da ditadura midiática venezuelana e da ultra-direita interamericana” com sua condenação à atitude do governo venezuelano.

'Atentado às liberdades'

Em Caracas, nesta segunda-feira, estudantes de diversas universidades fecharam várias avenidas desde a manhã, e no início da tarde se reuniram em uma praça do leste da cidade para dali seguir em passeata até a sede da Conatel (Comissão Nacional de Telecomunicações) para protestar contra a medida, classificada por eles como “um atentado às liberdades, especialmente à de expressão”.

Mas em frente à Conatel se reuniu também outro grupo de estudantes, simpatizantes do governo, com o objetivo de apoiar a decisão da Conatel. Para este grupo, a decisão “segue sem condições o Estado de Direito”.

Um cordão policial separava os dois grupos, antes de a manifestação opositora ser dissolvida com bombas de gás lacrimogêneo. Alguns estudantes teriam ficado feridos e acusam os simpatizantes do governo de lançar garrafas e pedras em sua direção.

No Estado de Anzoátegui, no leste do país, outro protesto estudantil também terminou com bombas de gás lacrimogêneo e disparos de balas de borracha.

No outro extremo do país, na cidade de Mérida, capital do Estado de mesmo nome, além do estudante cuja morte foi anunciada pelo governo, nove policiais também teriam ficado feridos.

Críticas

Diversos setores da sociedade venezuelana, como a Igreja Católica, se pronunciaram contra a medida que tirou a RCTV do ar pela segunda vez.

“Acompanhamos todas aquelas pessoas que tenham sido vítimas de perseguições por terem expressado seu pensamento ou ideologia”, disse o presidente da Conferência Episcopal Venezuelana, monsenhor Ubaldo Santana.

Em um programa transmitido pela TV estatal Venezolana de Televisión, o diretor da Conatel, Diosdado Cabello, disse que o organismo está elaborando um regulamento para permitir que os canais afetados pela suspensão no domingo retornem ao ar, desde que cumpram algumas condições.

Entre as condições está a assinatura de um compromisso para transmitir as cadeias oficiais e outras exigências do governo por pelo menos quatro meses, período durante o qual a Conatel avaliaria novamente a programação para reconsiderar se os canais afetados transmitem programação nacional ou internacional – os canais considerados internacionais não precisariam seguir as normas.

“Que coincidência que de 105 canais que foram analisados, 104 cumprem com as normas e só um, a RCTV, está contra o que está estabelecido nas leis”, afirmou Cabello.

Até o momento, a posição da RCTV tem sido a de não negociar com o governo. A emissora espera pelo resultado de uma liminar pedida ao Supremo Tribunal de Justiça para que se respeite sua condição de canal internacional, o que o governo nega.