domingo, 4 de outubro de 2009

Governo estuda manter IPI reduzido

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A alíquota reduzida para fogão, refrigeradores, tanquinhos e máquinas
de lavar, que termina no próximo dia 31, deve ser estendida até o fim do ano

A redução da alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para eletrodomésticos, material de construção e bens de capital pode ter o prazo prolongado, segundo fontes do governo. Como o impacto fiscal dessas medidas é bem menor do que a queda do IPI para automóveis, cujas alíquotas começaram a ser majoradas esta semana, a equipe econômica avalia se valeria a pena manter esse inventivo. O problema, mais uma vez, é o espaço fiscal bastante limitado com que trabalha o governo.

Apesar da defesa enfática da política fiscal expansionista posta em prática nos últimos meses, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, falam em conseguir um superávit de 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto), sem usar os abatimentos previstos. Nesse esforço, qualquer economia fará diferença.

Por outro lado, existe a disposição de estimular ao máximo a economia, e é isso que está sendo pesado. Segundo uma fonte, diante desse dilema, os incentivos à construção civil e ao investimento têm mais chances de continuar do que os da linha branca, que são itens de consumo. A avaliação é que, com a política monetária flexível adotada ao longo do ano, cujo efeito pleno está chegando agora, no fim do ano, o consumo já terá um impulso significativo, o que pode dispensar a renovação do IPI linha branca.

A alíquota reduzida para fogão, refrigeradores, tanquinhos e máquinas de lavar termina no dia 31 deste mês. Há dentro do governo quem defenda a prorrogação pelo menos até o fim do ano, quando se encerram os incentivos para os demais setores. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, tem destacado a importância do incentivo fiscal para manter as vendas aquecidas.

Em recente entrevista, Jorge defendeu a manutenção da redução do IPI para linha branca e materiais de construção. Ele argumenta que é preciso baixar o custo das obras do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que recebe subsídios do Tesouro para as moradias destinadas à população de baixa renda. O raciocínio é que elevar os impostos de um produto em que o governo tem participação tributária importante é ampliar o custo até para o Tesouro.

A Abramat (Associação da Indústria de Material de Construção) e a Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) também têm trabalhado para convencer o governo a ampliar os prazos, mantendo a desoneração pelo menos em parte de 2010. O argumento é que o ciclo de uma obra pode chegar a dois ou três anos. Uma fonte do governo afirma que a prorrogação para cada setor será "discutida no tempo certo", ou seja, mais perto de quando o prazo das desonerações estiver se encerrando.

Nas contas da Receita Federal, a redução de IPI para material de construção até 31 de dezembro custará aos cofres públicos R$ 952 milhões e, para bens de capital, R$ 345 milhões. A renúncia fiscal para linha branca, prevista para acabar em 31 de outubro, será de R$ 380 milhões.


Tarifas que não podem ser cobradas pelos bancos

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Lidar com banco não é tarefa das mais fáceis. Num passado não muito distante, eles cobravam mais de uma vez pela mesma tarifa porque não havia uma padronização ou regras. E em alguns casos, eles cobravam até por serviços que deveriam ser de graça.

Isso mudou nos últimos anos. O Banco Central padronizou as tarifas e fiscaliza se há abusos. Mesmo assim, na hora de abrir uma conta no banco, é importante saber quais são os seus direitos e quais serviços devem ser oferecidos a você sem custo algum.

Para conta corrente:

- Fornecimento de cartão com função de débito
- Fornecimento de dez folhas de cheque por mês (desde que o cliente reúna os prerrequisitos necessários para utilizar cheques)
- Fornecimento de segunda via do cartão como função de débito (exceto por perda, roubo e danificação, entre outros)
- Realização de até quatro saques por mês, em guichê de caixa, inclusive por meio de cheque avulso, ou em terminal de autoatendimento
- Realização de duas transferências de dinheiro entre contas da própria instituição por mês, em guichê de caixa, em terminal de autoatendimento ou pela internet
- Compensação de cheques
- Consultas pela internet
- Fornecimento de até dois extratos contendo a movimentação do mês

Para conta poupança

- Fornecimento de cartão com função de movimentação
- Fornecimento de segunda via do cartão, exceto nos casos de pedidos de furto e danificação
- Realização de até dois saques por mês em guichês de caixa ou terminal de autoatendimento
- Consultas pela internet
- Fornecimento de até dois extratos contendo a movimentação do mês

Onde os bancos aplicam o dinheiro que você deixa na conta

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É isso mesmo, os bancos ganham com a grana que você esquece lá, mesmo que por apenas um dia.

Sobrou um dinheiro na conta corrente e você nem percebeu? Mas o seu banco, tenha certeza, sabe direitinho que a grana está lá. E apesar de você não tê-la usado para nada, a instituição financeira com a qual você trabalha provavelmente soube ganhar com os recursos que ficaram parados.

O economista da Febraban (associação que representa o setor bancário), Rubens Sardenberg, explica que o dinheiro que sobra nos bancos geralmente é aplicado em títulos públicos federais em operações de um dia, chamadas de overnight.

Por exemplo, se você recebe o salário na conta corrente no dia 10 e não mexe no dinheiro, não importa se por um dia ou mais, o banco pode usá-lo par fazer uma aplicação de um dia em títulos do governo federal, no Banco Central.

Os bancos aplicam o dinheiro no final do dia e na manhã seguinte recebem os recursos de volta, só que corrigidos por um juro equivalente a um dia da taxa básica (Selic), que está em 8,75% ano. Os rendimentos, claro, ficam com os bancos, e você nem percebe que tudo isso aconteceu porque as operações são feitas eletronicamente.

A boa prática bancária diz que no final do dia não pode haver falta nem sobra de dinheiro nos bancos. Se faltam recursos, as instituições financeiras precisam pegar emprestado com outro banco com ou com o BC para cobrir a diferença. E elas pagam juros por isso. Se sobra dinheiro, elas têm que fazê-lo render.

Mas os bancos não têm liberdade de movimentar todo o dinheiro que fica na conta corrente porque são obrigados a depositar uma parte desses recursos no Banco Central. Isso se chama depósito compulsório.

Marcos Cintra, professor titular e vice-presidente da FGV (Fundação Getúlio Vargas), explica que essa medida tem o objetivo de evitar que os bancos emprestem dinheiro demais e acabem ficando sem reservas caso sejam feitos muitos saques num mesmo período. Ou seja, os bancos têm que estar preparados para devolver o dinheiro caso você precise dele.

De cada R$ 100 que estão na conta corrente, os bancos deixam R$ 42 no caixa do BC (esse é valor de compulsório ficado pelo Banco Central). O restante, eles podem, além de aplicar em títulos públicos, emprestar para consumidores e empresas.

Entretanto, como há maior risco de inadimplência das pessoas físicas e jurídicas, os bancos preferem colocar dinheiro em títulos públicos vendidos pelo BC, que são mais seguros e têm lucro garantido.

De acordo com dados do Banco Central, até 15 de julho deste ano havia uma sobra de aproximadamente R$ 400 bilhões nos bancos. Segundo Sardenberg, essa não é uma situação de equilíbrio e reflete a cautela dos consumidores e empresários em razão da crise econômica mundial.

As dúvidas sobre o que pode acontecer no futuro em relação ao consumo, emprego, inflação e todo resto da economia brasileira levou a uma paralisação dos investimentos, tanto das empresas quanto das pessoas.

Ou seja, a empresa que pretendia construir uma nova fábrica, preferiu deixar o dinheiro no banco e esperar para ver o que acontecerá com a economia. Muitos consumidores que planejavam trocar de carro ou mesmo comprar um apartamento também optaram por aguardar mais um pouco antes de tomar a decisão. Foi esse movimento que gerou uma sobra de dinheiro no caixa dos bancos privados.

sábado, 3 de outubro de 2009

Vencemos. E agora? Até 2016, há muito a ser feito pelo Rio de Janeiro

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Além das instalações olímpicas, toda a infra-estrutura da cidade deve passar por modernização

O Rio de Janeiro é a sede olímpica de 2016 e o governo federal está disposto a investir R$ 25,6 bilhões para que o mundo realmente veja o que o presidente Lula garantiu: "Sim, nós podemos". Ele mesmo já determinou que será preciso começar a trabalhar "a partir de amanhã", porque ao seu sentimento de alegria se mistura o de preocupação. A vitória, falou o presidente Lula, significa "uma grande responsabilidade".

Até 2016, 33 instalações esportivas prometidas terão de estar prontas, além de hotéis levantados para completar o número de quartos exigidos pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) para os turistas.

Mais que isso: aeroportos e telecomunicações precisarão estar em nível acima do que se tem hoje; o transporte, apresentar mais agilidade; a baía da Guanabara, despoluída. E, talvez o mais difícil de tudo: a área de segurança pública terá de agir para manter o crime sob controle.

Com todas as melhorias e avanços que uma olimpíada podem trazer para o Brasil, o Ministério do Esporte tem um estudo de impacto econômico, onde se prevê que um investimento de R$ 25,6 bilhões (US$ 14,4 bilhões) resultará em movimentação econômica em torno de R$ 90,9 bilhões (US$ 51,1 bilhões) no país. Haverá um efeito multiplicador em vários setores da economia. A previsão é para até 2027, porque o período de dez anos será suficiente para que a cena econômica esteja consolidada após a realização de um mega-evento como a Olimpíada.

Os setores com maior movimentação serão construção civil (aumento de 10,5%), serviços imobiliários (6,3%), prestação de serviços a empresas (5,7%), petróleo e gás (5,1%), informação (5%) e transporte, armazenagem e correio (4,8%). Vale lembrar que também a população do Rio de Janeiro, hoje em torno de 6,1 milhões de pessoas, em 2016 terá aumentado em 3%, e se beneficiaria de 120 mil vagas em empregos criadas entre este ano e 2016, mais outras 130 mil entre 2017 e 2027.

Agora, passada a euforia da eleição, atletas como o velejador Torben Grael, o maior medalhista da história do esporte em olimpíadas, já definiam: inicia-se uma nova etapa de trabalho, que não pode ser voltada apenas para o plano esportivo, mas para várias áreas sociais. Com relação ao esporte, o país tem a grande chance de efetivar mudanças em sua política esportiva do país, começando pela formação de atletas.

Com relação ao de mais imediato e concreto, Agostinho Guerreiro, presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro disse ainda nesta sexta-feira (2) ao R7 que "vários problemas deixados por más administrações podem interferir no sucesso da Olimpíada".

Por isso, alertou sobre a necessidade de urgência nas decisões sobre áreas de infraestrutura e transporte. Ele cita desde combate a enchentes e funcionamento de estações de esgoto até inspeções na parte elétrica da cidade e de todo o sistema de fiação para que não haja panes elétricas.


Turista fotografa filhote de urso polar 'pegando carona' com a mãe

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Filhote de urso polar nas costas da mãe (Foto: Angela Plumb)

Especialistas afirmam que o comportamento é raro

Uma turista britânica que visitava a Noruega conseguiu fotografar algo considerado raro por cientistas: um filhote de urso polar montado nas costas da mãe enquanto os dois nadavam nas águas geladas.

No dia 21 de julho de 2006, Angela Plumb estava em um navio na entrada de um fiorde no arquipélago de Svalbard, no norte da Noruega, quando viu o filhote "pegando uma carona" nas costas de sua mãe.

"O filhote estava nas costas da ursa quando ela estava na água, então ela saiu da água e o filhote ficou por um tempo nas costas da mãe, então ela o tirou de lá", explicou Plumb.

Plumb viu que a mãe do urso polar usava um colar para transmissão de dados via rádio e entrou em contato com Jon Aars, do Instituto Polar Norueguês, em Tromso, para tirar dúvidas sobre o que tinha fotografado.

"Nunca tinha visto ou ouvido falar sobre este comportamento antes, então perguntei a outros pesquisadores e descobri que ele já foi observado, mas não é frequente de maneira nenhuma", afirmou Aars.

Isolamento no gelo

Ursos adultos são bem adaptados para nadar nas águas geladas, com a gordura subcutânea para protegê-los e uma grande massa corporal.

Entretanto, os ursos jovens têm pouca gordura e seu pelo também perde as funções de isolamento quando eles estão na água gelada.

Por isso, a permanência fora d´água pode ser muito importante para a sobrevivência dos filhotes em habitats onde o gelo marítimo está espalhado no mar aberto.

O comportamento pode ser justificado também como uma ajuda para aumentar a mobilidade da mãe do filhote na água, disse Aars.

O pesquisador descreveu o episódio na revista especializada Polar Biology.

Britânica é acusada de negligenciar 99 cães São Bernardo

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Foto: RSPCA

Animais já foram tratados e adotados por famílias

Uma mulher está sendo julgada na Grã-Bretanha por causar sofrimento a 85 cães São Bernardo e por não conseguir cuidar de outros 14.

A britânica Mary Ellen Collins, de 51 anos, declarou-se culpada na quinta-feira das acusações. Ela mantinha um canil em Brigstock, cidade da região central da Inglaterra,

O caso foi levado à Justiça pela RSPCA, a sociedade protetora dos animais na Grã-Bretanha. Os cães estavam sendo mantidos em canis cheios de urina e fezes e sem comida ou água. Alguns cães eram mantidos em áreas frias e escuras.

Alguns animais sofriam com problemas no pelo e infecções nos olhos e ouvidos. Três filhotes estavam subnutridos. Outro cão teve parada cardíaca e morreu. O caso foi descoberto em novembro do ano passado.

Segundo a RSPCA, os veterinários concluíram que a maioria dos cães foram negligenciados por meses. Collins alegou na Justiça que nunca teve problemas para cuidar dos animais em 30 anos de profissão, mas que recentemente problemas financeiros fizeram com que ela não conseguisse dar conta dos 99 cães que mantinha no canil.

O RSPCA já encontrou famílias que adotaram todos os cães.

Foto: RSPCA

Cães estavam em péssimo estado quando foram encontrados

Para críticos de Olimpíada, Rio deveria ter outras prioridades

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A escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 recebeu críticas de especialistas que consideram a realização do evento uma inversão de prioridades.

"O Brasil tem outras prioridades e carências sociais para serem resolvidas, como educação, saúde, esporte para todos, habitação", diz o advogado Alberto Murray Neto, ex-membro do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), árbitro do Tribunal Arbitral do Esporte, em Lausanne (Suíça), e um dos principais críticos da realização da Olimpíada no Rio.

O alto custo do evento, calculado em mais de R$ 25 bilhões, as carências na infraestrutura do Rio em áreas como transporte e habitação, a falta de políticas públicas para o esporte e o temor de que os investimentos não se revertam em benefícios mais duradouros para a população são alguns dos problemas apontados por críticos.

“Eu entendo a opção do governo brasileiro como meio de propaganda, de projetar uma imagem mais favorável do próprio Rio, das repercussões econômicas para o turismo. Mas o custo é muito elevado”, diz o economista Gustavo Zimmermann, professor de Economia do Setor Público da Unicamp.

Segurança

Zimmermann diz reconhecer os benefícios que os Jogos trarão em termos de projeção de auto-estima do Brasil, mas considera muito pouco frente aos gastos necessários.

“Os recursos são escassos, e o Rio tem outras prioridades. Por exemplo, o estabelecimento de um plano de segurança”, afirma.

A segurança é considerada um dos principais gargalos na estrutura do Rio para abrigar um evento como os Jogos Olímpicos.

O economista Daniel Motta, professor de Economia e Estratégia do Insper (ex-Ibmec/SP), cita o exemplo dos Jogos Pan-Americanos, realizados na cidade em 2007, como mostra de que é possível garantir a segurança de um evento de grande porte.

“Nos bastidores, sabemos que o Exército teve que atuar, a polícia teve um esforço concentrado. Mas não tivermos nenhum incidente com segurança”, afirma.

No entanto, segundo Zimmermann, a segurança durante os Jogos Olímpicos não será mantida depois do término do evento. “Não vai proteger o cidadão no dia-a-dia”, diz.

Infraestrutura

O presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Agostinho Guerreiro, diz ter torcido pela escolha do Rio e estar satisfeito com a vitória, mas afirma que a cidade não está preparada para os Jogos de 2016.

“É um problema que não começou agora, vem de mais de 20 anos de descaso com alguns setores importantes da cidade”, diz.

Guerreiro cita o setor de transportes, que diz considerar deficiente. “Houve um abandono na área de transportes, que privilegiou ônibus e vans em detrimento de metrôs e trens. É um sistema que, para a Olimpíada, somente funcionará se houver mudança radical”, afirma.

Outro setor deficiente apontado pelos especialistas ouvidos pela BBC Brasil é o de habitação e hotelaria.

“A rede hoteleira tem uma deficiência incrível de leitos”, diz o presidente do Crea-RJ. “Temos seis anos pela frente, acho que é possível. Mas teremos de tirar o atraso de mais de 20 anos de descaso na área habitacional, de abandono das favelas, do saneamento.”

Guerreiro afirma que o principal problema é a falta de recursos. No entanto, o presidente do Crea-RJ diz acreditar que a maioria dos investimentos realizados para os Jogos Olímpicos serão permanentes.

Benefícios temporários

O economista da Unicamp discorda dessa avaliação. Zimmermann afirma que a maior parte das obras e melhorias serão temporárias e trarão benefícios apenas durante o evento.

Zimmermann cita o caso de várias instalações esportivas construídas para os Jogos Pan-Americanos, que não são utilizadas atualmente.

O Brasil tem outras prioridades e carências sociais para serem resolvidas, como educação, saúde, esporte para todos, habitação.

Alberto Murray Neto, ex-membro do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e árbitro do Tribunal Arbitral do Esporte, em Lausanne

O professor da Unicamp cita ainda a poluição da Baía de Guanabara, onde serão realizadas provas de iatismo. “Por que não despoluir para o cidadão comum? Vamos despoluir temporariamente para provas de vela?”

Alguns defensores da realização dos Jogos no Brasil afirmam que certos investimentos, como a capacitação de mão-de-obra, permanecem depois de encerrado o evento. Zimmermann, porém, diz não concordar com essa avaliação.

“Pode acontecer, mas não vi acontecer nos Jogos Pan-Americanos. Faz parte exatamente da incrível incompetência das nossas autoridades esportivas em fazer políticas públicas que ampliem a participação”, afirma Zimmermann.

Exemplo

Segundo Murray, o Brasil deveria aprender com os erros cometidos durante os Jogos Pan-Americanos.

"Chegou o momento de a gente olhar os erros do Pan e garantir que não se repitam", diz. "O Rio precisa de resgate social. No Pan, nenhuma obra de infra-estrutura foi feita. O grande legado foi o superfaturamento de obras."

O advogado afirma que, como a escolha da cidade já foi decidida, o melhor agora é garantir que todos os gastos sejam feitos de forma transparente.

"Amanhã mesmo, o Comitê Olímpico e o governo deveriam criar um site para escancarar as contas desses Jogos", diz.

Esporte

De acordo com Murray, as obras precisam estar atreladas a um programa de recuperação social do Rio, e os governos deveriam aproveitar o momento para criar uma política de esporte de longo prazo.

"É preciso fazer escolinhas, criar uma mentalidade olímpica, criar um marco regulatório para o esporte", afirma o advogado.

O economista da Unicamp também critica o que considera a falta de políticas para o esporte no Brasil.

“Temos uma tremenda concentração de atletas, que são preparados normalmente por organizações privadas, concentrados na Região Sudeste. Mas falta uma política pública para preparar atletas das outras unidades da Federação”, diz Zimmermann.

“Se for para fazer a Olimpíada e ter todas essas iniciativas, seria absolutamente saudável. Mas não vi e não vejo nenhuma declaração de dirigentes no sentido de alterar as políticas públicas”, afirma.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

'Carro robô' da Nissan testa tecnologia anticolisão

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O robô motorizado Eporo da Nissan (Foto: Divulgação)

Criação do Eporo se baseou em observação de cardumes

A fabricante de carros japonesa Nissan apresentou nesta quinta-feira à imprensa do país a nova série de carros robôs que possui tecnologia anticolisão. Os coloridos e simpáticos robozinhos ganharam o nome de Eporos.

Os robôs motorizados são equipados com sistemas de comunicação wireless, que permitem, por exemplo, medir a distância de um obstáculo e mudar a rota automaticamente.

A montadora já havia apresentado um carro robô com sistema parecido em setembro do ano passado, inspirado no sistema anticolisão das abelhas.

Mas essa versão, que nasceu da observação de cardumes de peixes, tem uma capacidade muito maior de se desviar de barreiras dispostas num ângulo de 180 graus.

Feira

A invenção permite também que vários robozinhos possam correr lado a lado num caminho cheio de obstáculos sem esbarrar uns nos outros. Cada aparelho pode mudar a direção automaticamente quando necessário.

"Nós, do mundo motorizado, temos muito a aprender com o comportamento de um cardume de peixes em termos de liberdade e segurança que cada animal tem dentro do grupo", disse o gerente do laboratório de mobilidade da Nissan, Toshiyuki Andou.

A Nissan espera aplicar, num futuro próximo, a tecnologia em carros de passeio e, assim, evitar acidentes.

A empresa vai fazer a primeira demonstração dos carros robôs andando juntos na feira de tecnologia Ceatec Japan, que começa na semana que vem na capital japonesa.