sábado, 16 de janeiro de 2010

Tremor de graves consequências no Brasil não pode ser descartado, diz especialista

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A hipótese de um terremoto de consequências graves no Brasil é muito rara mas não pode ser descartada, segundo George Sand França, chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (Obsis- UnB).

Em entrevista à BBC Brasil, França enumera uma série de fatores que poderiam influenciar no resultado de um tremor em território brasileiro, como o aumento da densidade populacional, a falta de estruturas resistentes a abalos e comparações com catástrofes ocorridas em locais com características geológicas semelhantes.

Um dos exemplos citados pelo especialista é a série de terremotos que atingiu a cidade de New Madrid, hoje no Estado americano do Missouri, entre 1811 e 1812. Os tremores chegaram a ser sentidos em Nova York e Boston, a milhares de quilômetros de distância.

"Esses abalos atingiram até 8,2 graus na escala Richter em uma área que fica no meio da placa norte-americana e não nos seus limites, onde é mais comum ocorrerem terremotos fortes", disse França. "Deveria servir de alerta para o Brasil porque o país também está no meio de uma placa, a sul-americana, cujos limites estão no meio do Oceano Atlântico, a leste, e na costa dos países do Pacífico, a oeste."

Mais pessoas

Desde o início das primeiras medições instrumentais, no início da década de 50, o tremor mais forte já registrado no Brasil atingiu 6,2 graus e ocorreu em 1955 em Porto dos Gaúchos (MT).

“Hoje, a concentração demográfica da região é muito maior, então dá para se imaginar o que pode acontecer se houver um terremoto igual novamente”, afirmou França. “E vai haver outro. Não sei quando - posso até nem estar mais vivo - mas vai haver.”

Segundo o especialista, a qualidade das construções também precisa ser revista para se reduzir a possibilidade de uma catástrofe.

“É preciso lembrar que no Brasil um terremoto entre 4,0 e 5,0 graus tem um impacto muito forte, já que não temos a estrutura do Japão e dos Estados Unidos para fazermos construções mais resistentes a abalos, e porque falta uma boa fiscalização das construções”, afirmou o especialista.

Em 2007, um tremor de 4,9 graus atingiu as cidades de Caraíbas e Itacarambi (MG), destruindo várias casas e matando uma menina de 5 anos. Foi a primeira vez que um tremor deixou uma vítima fatal no país.

“Essa morte ocorreu porque a casa onde a menina morava não estava preparada para o sismo”, explicou França.

Investimentos

Já para o britânico Julian Bommer, professor de avaliação de risco de terremotos do Imperial College, de Londres, a frequência e a intensidade dos tremores no Brasil não justificam um investimento em estruturas específicas para resistir a abalos.

“É melhor gastar com a proteção a incidentes mais comuns e urgentes no país, como a violência e as inundações”, afirmou ele à BBC Brasil. “Apenas para estruturas mais críticas, como barragens e usinas nucleares, deveria se investir em construções anti-sísmicas.”

Bommer, no entanto, endossa a ideia de que, apesar de ser uma possibilidade muito pequena, o Brasil pode estar sujeito a um terremoto de consequências graves.

“É preciso lembrarmos que os tremores ocorrem em intervalos que podem ser de séculos, e que nos 500 anos do Brasil ainda não se experimentou um abalo muito forte”, explicou.

Dez senadores gastam R$ 500 mil em combustível em 9 meses

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Somente a despesa dos dez parlamentares que mais gastaram com combustível nos últimos nove meses de 2009 daria para bancar 291 viagens de carro, com a gasolina a R$ 2,80, entre as duas capitais mais distantes do país, Porto Alegre (RS) e Boa Vista (RR), separadas por 5.348 km, segundo reportagem do site Congresso em Foco. Esses dez senadores consumiram R$ 436.633,62 da chamada verba indenizatória para ressarcir despesas que tiveram com combustíveis e lubrificantes somente entre os meses de abril e dezembro. O valor é suficiente para comprar 155.904 litros de gasolina, o que dá para encher o tanque de 31.188 automóveis.

A verba é suficiente para percorrer 343 vezes a rodovia mais extensa do Brasil, a BR-101, com seus 4.551 km, que ligam o Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Daria também para inspecionar as condições de toda a malha rodoviária asfaltada do território nacional nove vezes. Para gastar toda a quantia de combustível, os dez senadores teriam que rodar 1,5 milhão de km. Daria para percorrer 115 vezes o diâmetro da Terra, que é de 13 mil km.

Ranking
Os dados fazem parte de levantamento do Congresso em Foco, com base em informações do Portal da Transparência, do Senado. Foi apenas a partir de abril que a Casa passou a detalhar o uso da verba, com a identificação dos prestadores de serviço e das respectivas notas fiscais.

Os senadores do DEM de Mato Grosso Jayme Campos e Gilberto Goellner foram os que mais gastaram com combustível no período pesquisado. O primeiro consumiu R$ 66,72 mil nos cinco meses em que exerceu o mandato em 2009. Ele está licenciado desde setembro para tratar de assuntos particulares. O segundo recebeu R$ 65,22 mil do Senado nos últimos nove meses do ano para cobrir as despesas com combustível, óleo e lubrificante.

Na sequência, aparecem dois tucanos: Marconi Perillo (GO), que gastou R$ 44,23 mil, e Cícero Lucena (PB), que consumiu R$ 42,84 mil. O petista Augusto Botelho (RR) é o quinto colocado, com R$ 38,75 mil. Dois peemedebistas surgem depois: Almeida Lima (SE), com gastos de 37,81 mil, e Romero Jucá (RR), que usou R$ 37,12 mil da verba com combustíveis.

Apesar de ter deixado o Senado no início de novembro, Expedito Júnior (PR-RO) foi o oitavo colocado no ranking das despesas com derivados de petróleo. Cassado por compra de votos, consumiu R$ 34,24 mil entre abril e setembro. Efraim Morais (DEM-PB), com R$ 32,53 mil, e Romeu Tuma (PTB-SP), com R$ 37,12 mil, fecham a lista dos dez senadores que mais encheram o tanque com dinheiro público.

Sem limites
Diferentemente da Câmara, onde cada deputado pode gastar até R$ 4,5 mil por mês com combustível, não há limite com esse tipo de despesa no Senado. Cada senador pode gastar o quanto quiser desde que apresente nota fiscal.

Se o mesmo teto fosse aplicado ao Senado, pelo menos 13 parlamentares teriam estourado a cota mensal. Além dos dez campeões de consumo, os senadores Mão Santa (PSC-PI) e Magno Malta (PR-ES) e a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) também gastaram mais que R$ 4,5 mil ao menos uma vez no ano passado.

O campeão em despesas em um só mês foi Jayme Campos. O senador matogrossense apresentou quatro notas fiscais em nome de uma única companhia para pedir o ressarcimento de R$ 20,07 mil com combustível apenas no mês de junho. Jayme também teve gasto superior a R$ 10 mil em outros quatro meses: abril, maio, julho e agosto.

Atuação no Haiti pode consolidar papel de liderança do Brasil

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Soldados brasileiros da Minustah

Soldados brasileiros da Minustah estão ajudando com primeiros socorros no Haiti

Com o desastre que abateu o Haiti, a diplomacia brasileira para o país caribenho deverá entrar em uma nova fase, na avaliação do Itamaraty. A expectativa é de que o governo brasileiro seja “mais exigido”, mas em contrapartida poderá consolidar seu papel de liderança no processo de paz haitiano.

Na avaliação de diplomatas, o trabalho de recuperação política do Haiti, que já era considerado “complexo”, vai exigir um compromisso ainda maior do governo brasileiro.

A expectativa é de que, depois da fase emergencial de socorro às vítimas, os países que integram as forças de paz, juntamente com as Nações Unidas, “reavaliem as prioridades” da operação.

Como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, o Brasil “tem a chance de fazer valer suas perspectivas e visões” em relação ao Haiti, diz um representante da diplomacia brasileira.

“Quem decide é a ONU, mas o Brasil sempre defendeu uma política mais de longo prazo no Haiti, que vá além da segurança”, diz o diplomata.

Uma das possibilidades é de que o efetivo da missão de estabilização da ONU no Haiti, a Minustah, seja ampliado – decisão que precisa ser aprovada pelo Conselho de Segurança.

De acordo com essa mesma fonte do Itamaraty, “não necessariamente” o adicional de tropas precisa sair do Brasil.

“Um dos desafios é justamente o de convencer outros países de que eles também precisam contribuir mais”, diz o diplomata.

Antes do terremoto, a previsão era de que as tropas pudessem ser reduzidas a partir de 2011, o que também deverá ser revisto.

Protagonista

País com o maior efetivo militar no Haiti, com 1.266 homens, o Brasil acabou conquistando um papel de protagonista no processo de paz do país caribenho.

A causa foi abraçada não apenas do ponto de vista militar, mas também diplomático, sendo vista como uma das principais bandeiras da política externa do governo Lula.

Além de reforçar sua influência na América Latina, a experiência militar brasileira no Haiti é vista no governo como mais um ponto favorável à campanha do Brasil por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O general Carlos Alberto Santos Cruz, que comandou a Minustah de 2007 a 2009, diz que o governo brasileiro tem oferecido apoio financeiro e treinamento à operação e que esse “esforço deu um maior conceito ao Brasil”.

“Não é a toa que a missão de paz, que na verdade é da ONU, muitas vezes é confundida com uma missão brasileira”, diz.

De acordo com a ONG Contas Abertas, o governo brasileiro já gastou mais de R$ 700 milhões com a operação desde o início da missão.

Revisão

Apesar de os militares da Minustah serem treinados para situações de catástrofe, a missão não tem em seu mandato a “reconstrução física” do país, diz o representante da diplomacia brasileira.

A ideia, segundo ele, é de que outras agências da própria ONU se alinhem aos compromissos da missão de paz.

“Estamos falando da reconstrução de um país praticamente do zero, e não apenas mais de uma questão política ou de segurança”, diz. "Por isso acredito que as operações no país terão de ser repensadas”, acrescenta.

Para o general Santos Cruz, a discussão nesse momento é “puramente humanitária”, mas, segundo ele, “em algum momento o Conselho de Segurança deverá discutir o futuro do Haiti”.

“Parte do trabalho que já havia sido feito no país nos últimos seis anos foi perdido. Tanto o componente militar como civil da missão terão de ser reavaliados”, diz.

ONU faz apelo por US$ 550 milhões para ajuda urgente ao Haiti

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O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, lançou, nesta sexta-feira, um apelo internacional para arrecadar US$ 500 milhões em ajuda para o Haiti.

Porto Príncipe

Ban disse que estoque de comida e água é crítico

“A maior parte deste dinheiro seria para necessidades urgentes – o estoque de água e comida é crítico”, disse Ban em entrevista coletiva na sede da Organização em Nova York.

Segundo ele, a maioria dos 3 milhões de habitantes da capital haitiana, Porto Príncipe, continuam sem comida, água, abrigo e eletricidade.

“Dado o número de pessoas desabrigadas nas ruas, nós precisamos providenciar abrigo. Nós precisamos de tendas e mais tendas”, disse.

O secretário-geral afirmou ainda que o Programa Mundial de Alimentação da ONU já começou a alimentar cerca de 8 mil pessoas diversas vezes por dia.

Segundo ele, um esforço humanitário significativo está ocorrendo no Haiti e a ONU está mobilizando todos os recursos “o mais rápido que podemos”. A ONU instalou um centro de operação no aeroporto da capital para coordenar os esforços de busca e resgate de 27 equipes vindas de diversas partes do mundo.

Ban anunciou ainda que chegará ao país neste domingo "para demonstrar solidariedade ao povo haitiano". De acordo com um comunicado divulgado pela ONU nesta sexta-feira, o secretário-geral irá avaliar pessoalmente os esforços humanitários e a escala do desastre em Porto Príncipe.

Devastação

A ONU estima que cerca de 300 mil pessoas ficaram desabrigadas devido ao terremoto.

Agências ligadas à organização acreditam que 3,5 milhões de pessoas no país estão dependendo de ajuda humanitária para sobreviver.

A organização afirma que uma em cada dez casas da capital, Porto Príncipe, foi destruída pelo terremoto de magnitude 7 na escala Richter.

Uma avaliação feita pela missão da ONU no Haiti, com um helicóptero, descobriu que algumas áreas apresentam até "50% de destruição" e muitos prédios desabaram.

"As primeiras estimativas sugerem que cerca de 10% das casas em Porto Príncipe foram destruídas, o que significa cerca de 300 mil pessoas sem casa", afirmou Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários.

Já o Comitê Internacional da Cruz Vermelha sugere que cerca de 70% dos edifícios de Porto Príncipe foram destruídos no terremoto que abalou o Haiti.

Em um comunicado divulgado em Genebra, a organização afirmou que pelo menos 15 áreas da capital haitiana foram muito atingidas pelo sismo e pelos tremores menores, que continuam a afetar a região e aumentam ainda mais a ansiedade no país.

Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, nesta sexta-feira, o envio de 10 mil soldados ao Haiti até segunda-feira.

Obama descreveu a escala da destruicao no país como “impressionante” e a perda de vidas “de partir o coração”.

“Os Estados Unidos farão o que for preciso para salvar vidas e ajudar as pessoas a se recuperarem”, disse o presidente em um comunicado divulgado pela Casa Branca.

Obama ofereceu todo o apoio do país ao presidente haitiano, René Préval, em uma conversa telefônica nesta sexta-feira.

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse que os esforços humanitários no Haiti são “a mais alta prioridade do aparato militar americano e todos os recursos estarão disponíveis”.

Segurança

Apesar dos esforços da comunidade internacional, autoridades haitianas e agentes humanitários alertaram nesta sexta-feira para a necessidade de aumentar a segurança de equipes de ajuda por medo de saques e ataques, à medida que aumenta a tensão e a raiva entre sobreviventes do terremoto no Haiti.

Em encontro com o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, na quinta-feira no Haiti, o presidente haitiano, René Préval, teria manifestado sua preocupação com uma revolta popular devido à frustração dos sobreviventes.

Três dias após o tremor que devastou a capital, Porto Príncipe, dezenas de milhares de pessoas continuam a vagar pelas ruas à espera de alimentos, tratamento médico e informações sobre familiares.

"Infelizmente eles estão lentamente ficando mais impacientes e com raiva", disse David Wimhurst, porta-voz da Missão de Estabilização da ONU no Haiti, a Minustah.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Banco deve se responsabilizar por saques irregulares no caixa eletrônico

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A 1ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça reformou sentença de 1º Grau e proveu o recurso interposto por Renato John e espólio de Carolina John, falecida no curso do processo, condenando o HSBC Bank Brasil S/A - Banco Múltiplo ao pagamento de danos materiais, no valor de R$ 23 mil, e danos morais, em R$ 30 mil, corrigidos, além das custas processuais.

Na ação de indenização por danos materiais e morais, o casal alegou que mantinha conta corrente e aplicações financeiras junto à instituição bancária. Contudo, em cerca de 30 dias os recursos foram resgatados e sacados via caixa eletrônico, sem seu consentimento, causando-lhes prejuízos de ordem moral e material. Em sua contestação, o HSBC arguiu que os saques ocorreram mediante a utilização do cartão magnético e senha do correntista, refutando, assim, sua responsabilidade pelo ocorrido.

Para o relator da matéria, desembargador substituto Carlos Adilson Silva, não houve comprovação, por parte do banco, que demonstrasse a ocorrência de quaisquer circunstâncias que o isentasse da culpa pelo ocorrido. Acrescentou, ainda, que no inquérito policial anexado aos autos, restou comprovado que as transferências on line dos valores aplicados para conta-corrente foram efetuadas por terceiros, fato este reconhecido pelo gerente do apelado

`Oportuno salientar que a titular da conta, agora já falecida, era pessoa idosa, desconhecedora dos procedimentos on line, aliás, sempre foi de conhecimento do apelado a rotina bancária da autora Carolina, a qual jamais efetuava saques nos caixa eletrônico, sempre descontando cheques no interior da agência ...`, disse o magistrado.

Além disso, a agência tem em seu interior um setor que monitora a conta dos clientes. Havendo indícios de operação irregular, este setor entra em contato com a agência e esta, por sua vez, com o cliente; confirmado, assim, se a operação foi autorizada pelo cliente. Em caso negativo, são tomadas as providências para seu ressarcimento. A decisão foi unânime. (A.C. nº 2007.030880-4)

Justiça manda incluir parceiro homossexual como dependente em plano de saúde

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São Paulo - A Justiça Federal em São Paulo determinou que a empresa Omint Serviços de Saúde Ltda inclua companheiros homossexuais como dependentes do titular em seus planos. A liminar concedida pela juíza Ritinha Stevenson, da 20ª Vara Federal de São Paulo, estipulou prazo de 60 dias para cumprimento da determinação.

Segundo a decisão, homossexuais com comprovada união estável deverão ser regidos pelos mesmos requisitos normalmente aplicados para admissão de pessoas como dependentes. De acordo com a juíza, as disposições legais e constitucionais que protegem a união estável entre homem e mulher aplicam-se, por analogia, à união estável homossexual, devido à existência de uma lacuna na lei.

A falta de previsão legal era a razão alegada pela Omint para não incluir companheiros do mesmo sexo de seus usuários como beneficiários dependentes do titular do plano.

Para reverter a situação, o Ministério Público Federal em São Paulo protocolou, em 16 de novembro, ação civil pública, com pedido de liminar, para que a empresa aplicasse às uniões homoafetivas as mesmas regras válidas para os casais heterossexuais.

Para garantir o cumprimento da decisão no prazo estipulado, a juíza determinou ainda que a Agência Nacional de Saúde (ANS) fiscalize o plano Omint.

É improvável que Haiti evite epidemia, diz epidemiologista

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Porto Príncipe

O acesso à água potável é essencial para prevenir as doenças

O médico do Departamento de Epidemiologia da Universidade de São Paulo (USP) Eliseu Alves Waldman disse à BBC Brasil que é “pouco provável que não haja uma epidemia diarreica” no Haiti, que se recupera do terremoto que deixou boa parte do país em ruínas.

Segundo ele, a epidemia é provável porque o país já não tinha uma infraestrutura adequada de saneamento e saúde, e o tremor agravou ainda mais essa situação.

“Devemos levar em consideração que a situação antes do desastre já era precária. Agora, se agrava o problema de assistência médica e hospitalar e o acesso a água potável. O povo haitiano está dependendo exclusivamente da ajuda externa”, disse.

A diretora da ONG Médicos Sem Fronteiras no Brasil, Simone Rocha, diz que o acesso a água limpa é crucial para garantir a saúde dos sobreviventes.

“A situação mais importante e que deve ser contornada o mais rápido possível é o acesso à água potável para evitar doenças como diarreia e disenteria”, disse.

Mortalidade infantil

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que apenas um em cada dois haitianos tinham acesso à água potável antes do desastre e somente 19% tinham acesso ao sistema de saneamento básico.

De acordo com Waldman, caso não seja prevenida, a epidemia de diarreia pode gerar ainda outro problema para os haitianos: o aumento da mortalidade infantil.

O epidemiologista explica que isso pode ocorrer porque o Haiti registrava altos índices de desnutrição infantil antes do terremoto. Dados da UNICEF indicam que em todo país, 3,8 milhões de pessoas sofrem de desnutrição.

Segundo Waldman, o problema é que a diarreia, além de atingir mais as crianças que os adultos, ainda intensifica os sintomas da desnutrição, potencializando os riscos de aumento da mortalidade infantil.

“A falta de água e a eventual epidemia diarreica podem piorar ainda mais a situação, que já é gravíssima”, afirmou.

Outras doenças

Os especialistas afirmam que os riscos de outras doenças e epidemias entre a população atingida pelo terremoto podem ser determinados pela taxa de vacinação anterior ao desastre.

Segundo Waldman, a incidência de sarampo, rubéola e poliomielite estão entre as doenças que podem ser prevenidas com vacinas, mas que a ausência de vacinação pode, nesse caso, gerar uma epidemia dessas doenças em médio prazo.

Rocha cita também o risco de doenças típicas de locais com grande concentração de pessoas, como infecções respiratórias que podem ser simples ou mais graves, como pneumonia e tuberculose.

“É essencial dar atenção especial aos problemas da água e do saneamento, e também abrigar pessoas, que estão dormindo ao relento, nas ruas. Proporcionar abrigo também pode prevenir doenças”, disse a diretora da MSF.

Apesar da preocupação com as epidemias, Rocha afirma que, nessa primeira fase de ajuda, os agentes da ONG se concentrarão em problemas mais urgentes como traumas, fraturas e cirurgias.

Presidente diz que Haiti já enterrou 7 mil em vala comum

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Haitianos trabalham no resgate de vítimas em Porto Príncipe (AFP, 14 de janeiro)

Estimativas sobre o número de mortos permanecem desencontradas

O presidente do Haiti, René Préval, disse na quinta-feira que o país já enterrou 7 mil corpos em uma vala comum.

“Nós já enterramos 7 mil em uma vala comum”, disse o presidente no aeroporto de Porto Príncipe ao lado do presidente da República Dominicana, Leonel Fernandez.

A informação foi confirmada ainda pelo primeiro-ministro peruano, Velásquez Quesquen, que está supervisionando os esforços humanitários enviados pelo Peru no aeroporto da capital haitiana. O Peru enviou dois aviões com medicamentos e comida ao Haiti.

“Nas últimas horas, nós enterramos 7 mil haitianos e o governo está pedindo por equipamentos de remoção de terra para limpar os escombros”, disse Quesquen em entrevista ao canal de televisão peruano N.

Préval está alojado no aeroporto numa tentativa de priorizar a distribuição da ajuda humanitária que chega ao país.

“Se estou aqui (no aeroporto) é para coordenar a chegada de ajuda médica, de equipamentos, e todo tipo de material e para ajudar”, disse.

“Estou muito triste porque muitas pessoas morreram, muitos estão sofrendo. Estou triste porque meu país está passando por uma grande dificuldade. Mas estou feliz em ver que o mundo está conosco, nos ajudando”, disse o presidente.

Segundo o correspondente da BBC em Porto Príncipe Nick Davies, ainda o número de corpos nas ruas da capital ainda é grande.

Ele afirmou que a ajuda internacional está chegando ao país, mas há dificuldade na distribuição dos suprimentos e em levar auxílio aos sobreviventes.

Aeroporto

Na quinta-feira, os Estados Unidos assumiram o controle do aeroporto Toussaint L'Ouverture, de Porto Príncipe, para ajudar no descarregamento da ajuda que chega por aviões e helicópteros.

"Assumimos a responsabilidade do controle aéreo. Temos pessoal preparado para ajudar nos descarregamentos", declarou o porta-voz do Departamento de Estado Philip Crowley.

O grande volume de desembarque causou a saturação do aeroporto e do espaço aéreo naa quinta-feira, provocando a suspensão temporária do pouso de aeronaves por diversas horas durante o dia.

"A boa notícia é que agora o aeroporto de Porto Príncipe está funcionando em tempo integral. No entanto, é pequeno e muito limitado, com apenas uma pista e pouco espaço", disse.

Mortos

Apesar do fluxo de ajuda internacional chegando ao país, os haitianos passaram a terceira noite ao relento, desabrigados. Relatos de correspondentes afirmam que muitas pessoas estão morrendo de doenças que poderiam ser tratadas, como ossos fraturados.

Ainda não há uma contagem oficial de mortos, mas a Cruz Vermelha haitiana estima que entre 45 mil e 50 mil pessoas podem ter morrido em consequência do terremoto que atingiu o país na última terça-feira.

Segundo a organização, outras 3 milhões de pessoas teriam ficado feridas ou desabrigadas em razão do tremor. Muitos outros podem ainda estar vivos embaixo de escombros.

“Ninguém sabe com precisão, ninguém pode confirmar um número. Nossa organização acredita que entre 45 mil e 50 mil pessoas morreram”, declarou à agência de notícias Reuters Victor Jackson, coordenador assistente da Cruz Vermelha haitiana.

“Nós também estimamos que cerca de 3 milhões de pessoas foram afetadas em todo o país, estando feridas ou desabrigadas”, afirmou.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, disse à rede de TV americana CNN que o número de mortos pode chegar a 100 mil.

Já o presidente haitiano, René Préval, afirmou apenas que milhares de pessoas podem ter morrido, sem especificar números.

A ONU confirmou naa quinta-feira as mortes de pelo menos 36 de seus funcionários no Haiti.

Segundo um porta-voz da entidade, David Wimhurst, outros 188 funcionários da ONU permanecem desaparecidos, incluindo o brasileiro Luiz Carlos da Costa – o segundo na linha de comando da ONU no país.

Até o momento, foram confirmadas a morte de 14 militares brasileiros e de uma civil, a médica Zilda Arns. O corpo da fundadora da Pastoral da Criança chega ao Brasil nesta sexta-feira.