quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Veja como vai funcionar o Vale-Cultura

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Valor inicial do benefício será de R$ 50

• A estrutura será muito parecida com a do vale-alimentação, hoje utilizado por milhões de trabalhadores.

• No início, o governo federal cadastra empresas concessionárias para administrar o funcionamento do Vale-Cultura entre os empresários e os seus empregados com carteira assinada. Essas concessionárias terão papel semelhante ao das empresas que fornecem os cartões magnéticos ou com chip nos atuais programas de vale-alimentação.

• As concessionárias identificam as empresas decididas a fornecer o Vale-Cultura para os empregados.

• As empresas interessadas entregam às concessionárias as listas com os dados dos funcionários interessados em receber o cartão magnético com o benefício.

• Esses trabalhadores receberão um cartão magnético.

• Todos os meses, o cartão será carregado com um valor (o inicial será de R$ 50), num modelo igual ao usado hoje no vale-alimentação.

• O dinheiro do Vale-Cultura só poderá ser gasto na compra de produtos e serviços culturais, ou seja, em livros, CDs, DVDs, revistas, guias e ingressos para museus, shows e espetáculos de teatro e dança.

• A adesão ao Vale-Cultura não será obrigatória nem para empresários nem para trabalhadores. Enquanto o dono da empresa não aderir ao benefício, seus funcionários não poderão reivindicá-lo. Se o empresário resolver entrar no projeto, o funcionário, ainda assim, poderá optar por não participar.

• Para quem ganha até cinco salários mínimos brutos (R$ 2.325,00), o empregador poderá descontar até 10% do valor do vale (R$ 5) no salário.

• Entre os que recebem acima de cinco salários, o percentual autorizado varia de R$ 20% e 90% do valor do vale (R$ 10 a R$ 45).

• Se quiser, o empresário poderá não descontar nada de seus funcionários.

• Toda empresa que adotar o Vale-Cultura em sua empresa poderá descontar o dinheiro gasto no imposto de renda devido, na declaração anual de ajuste, até o limite de 1% do total. Além disso, parte das despesas operacionais poderá ser dividida com o governo.

Aposentado sai para comprar leite, se perde e dirige 700 km

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Aposentado disse que queria desfrutar de viagem 'agradável e tranquila'

Um aposentado deu um susto na família ao se perder e dirigir mais de 700 quilômetros durante uma "saidinha" para comprar leite na cidade de Yass, perto de Canberra, no sudeste da Austrália.

Eric Steward, 80, saiu da casa de amigos, onde estava hospedado, pouco depois das 7h da manhã da segunda-feira para comprar leite para o café da manhã. Mesmo perdido, ele decidiu continuar dirigindo para desfrutar da "viagem agradável e tranquila".

O aposentado só parou após quase sete horas de viagem, em Avalon, a 600 km de seu ponto de partida, quando o carro já começava a ficar sem gasolina.

De uma delegacia de polícia, ele contatou a esposa, Clare, que nesse momento já se desesperava com a ausência do marido.

"Estão fazendo muito barulho (sobre esse caso). Eu apenas saí da estrada para uma viagem agradável e tranquila, e nunca esperei que virasse tudo isso", disse nesta quarta-feira, entre risadas, o aposentado a jornalistas após o incidente.

Em declarações reproduzidas pelo site de notícias Western Australia Today, o aposentado disse que em nenhum momento se preocupou com o episódio.

"Eu não me preocupo com as coisas. Quando você chega aos 80 anos, não importa muito."

Segundo o jornal Herald Sun, o delegado que ajudou Steward a reencontrar sua família, Clayton Smith , disse que este havia sido o trabalho mais "incomum" de sua carreira.

'Geeks' britânicos posam nus para calendário beneficente

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Fabio de Bernardi no calendário London Nude Tech 2010 (Foto: © Paul Clarke paulclarke.com)

Fabio de Bernardi no calendário London Nude Tech 2010 (Foto: © Paul Clarke paulclarke.com)

Um grupo de aficionados por tecnologia e empreendedores do setor em Londres posou nu para um calendário cuja renda das vendas será revertida para uma instituição de caridade.

O grupo foi reunido para as fotos graças à iniciativa de Milo Yiannopoulos, um escritor especializado em tecnologia, que afirmou que queria acabar com a ideia de que empreendedores do setor são "geeks (aficionados por tecnologia) que não são atraentes".

"Alguém sugeriu a ideia, mas como uma piada, e eu pensei ‘por que não?’ Existe uma percepção de que estas pessoas que tem estes empreendimentos na internet são geeks, não são atraentes, e queria mostrar que não é assim", explicou Yiannopoulos.

As 24 fotos mostram homens, mulheres e grupos, sem roupas, com computadores, cabos e outros objetos estrategicamente posicionados sobre seus corpos.

O escritor informou que o grupo espera vender 5 mil calendários nesta temporada de Natal e já está trabalhando em um aplicativo para o iPhone.

Reunião do grupo Huddle no calendário London Nude Tech 2010 (Foto: © Neil Raja neilraja.com)

Reunião do grupo Huddle no calendário London Nude Tech 2010 (Foto: © Neil Raja neilraja.com)

A renda das vendas irá para a instituição de caridade britânica Take Heart India, que fornece treinamento em tecnologia para estudantes cegos na zona rural da Índia, para que eles consigam empregos.

Empreendedores

Yiannopoulos afirmou que o projeto do calendário surgiu como uma "reunião de empreendedores para levantar fundos para uma instituição de caridade empreendedora".

"Eles não despejam dinheiro na Índia - eles educam e treinam as pessoas para apoiar suas habilidades de trabalho", disse.

"Não me arrependo, as fotos estão ótimas. Foi muito divertido (fazer as fotos) e é para uma boa causa, espero que levantemos muito dinheiro", disse Hermione Way, uma das fotografadas e fundadora do site Techfluff.tv.

Hermione Way no calendário London Nude Tech 2010 (Foto: © Paul Clarke paulclarke.com)

Hermione Way no calendário London Nude Tech 2010 (Foto: © Paul Clarke paulclarke.com)

O diretor da instituição de caridade, Lucian Tarnowski, é também um empreendedor do setor de tecnologia e fundador do site BraveNewTalent.com. Ele também foi fotografado para o calendário.

"A Take Heart tem o empreendedorismo em seu sangue. Desde a década de 60 a Take Heart deu a milhares de pessoas as habilidades necessárias para que elas iniciassem sua própria microempresa", disse Tarnowski.

A instituição foi fundada em 1963 e já construiu uma escola de tecnologia que atende portadores de deficiência na Índia.

Análise: Apagões são paradoxo latino-americano

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Transeunte durante apagão em SP

Apagão atingiu 60 milhões em 18 Estados e no Paraguai

O apagão que atingiu o Brasil e o Paraguai no último dia 10 de novembro é um exemplo do paradoxo energético latino-americano.

Trata-se de uma situação que se repete quase diariamente, em uma região das mais ricas em recursos energéticos do planeta.

Nas últimas semanas, quase todas as regiões da Venezuela sofreram cortes diários de eletricidade. No Equador, o presidente Rafael Correa decretou no dia 6 de novembro um estado de exceção elétrica de 60 dias.

Em Cuba, por falta de recursos para comprar combustível, o governo está planejando ações "extremas" em matéria energética, como o fechamento de fábricas.

Cada país lista suas razões para os apagões – no caso dos 18 Estados brasileiros e do Paraguai, o problema está sendo atribuído às condições atmosféricas adversas que afetaram uma região do Estado de São Paulo.

Junto com a mudança climática, outra razão comumente listada para os incidentes é a pior seca das últimas quatro décadas – em si mesmo uma consequencia do fenômeno climático El Niño – que reduziu a capacidade de produção hidrelétrica.

Este contexto foi apontado como o que afetou o Equador e a Venezuela. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, também acrescentou que houve um aumento na demanda interna no país, que nos últimos dez anos de 12 mil a 17 mil megawatts.

Chávez chegou a dizer que tomar banhos de mais de três minutos "é um desperdício".

"Tem gente que canta tomando um banho de meia hora. Três minutos é mais que suficiente: um minuto é para se molhar, outro para se ensaboar e o terceiro, para se enxaguar", argumentou o presidente.

Gargalos estruturais

Entretanto, segundo alguns especialistas, os gargalos energéticos na região têm origens que vão além de problemas conjunturais particulares.

Números da Comissão de Integração Energética Regional, uma associação internacional que agrupa empresas públicas e privadas, mostram que existe na região um claro déficit de investimentos em energia.

Rio Paute, no sul do Equador

Maior seca em 40 anos reduziu produção de energia hidrelétrica

Segundo a Comissão, a América Latina precisaria de investimentos de US$ 10 bilhões anuais pelos próximos dez anos para atender aos 100 milhões de latino-americanos que ainda não tem acesso à luz elétrica.

"A causa comum é a falta de políticas de longo prazo no setor energético. Na Venezuela, 70% da energia dependem da geração hidrelétrica", exemplificou o ex-secretário de Energia da Argentina, Daniel Montamat.

"Mas com essa dependência, se você olhar para o longo prazo vai construir um parque termelétrico de apoio. Sobretudo se estiver nadando em um mar de petróleo e gás."

Para o especialista, "no Equador acontece o mesmo". "É preciso diversificar o parque elétrico."

Em outros países, como a Argentina – que no inverno de 2007 sofreu racionamentos no consumo de gás –, a falta de manutenção da infraestrutura energética tem origem, diz Montamat, nas privatizações dos anos 1990.

"Você vende seus recursos energéticos porque precisa de recursos. Mas é possível ter mais sucesso nas privatizações quando a razão não é fiscal, e sim a atração de investimentos em uma estratégia de longo prazo para o setor", afirmou.

Falta de integração regional

Outro problema-chave é a ausência de integração energética regional, em ocasiões – como na relação Chile-Bolívia – motivada por conflitos políticos.

Montamat diz que "o cenário hoje é de desintegração".

O cenário hoje é de desintegração. Cada país está tentando buscar sua própria saída de maneira autárquica.

Daniel Montamat, ex-secretário de Energia da Argentina

"Cada país está tentando buscar sua própria saída. Por exemplo, todos os potenciais importadores de gás boliviano estão construindo plantas para importar gás de outros países", diz.

"Se isto continuar, é possível que a Bolívia acabe construindo uma planta de liquefação para exportar seu gás para outras regiões do mundo. E isso é um despropósito, porque a lógica é exportar por gasodutos."

Em meio a este difícil cenário, alguns países, como Chile, Uruguai, Peru e Brasil, por exemplo, foram capazes de desenvolver políticas energéticas de longo prazo.

O Chile reduziu a dependência de gás argentino e a falta de gás boliviano importando gás líquido de países como a Indonésia. Algo similar ocorreu em Uruguai, enquanto o Peru está realizando explorações em alto mar e desenvolvendo sua indústria do gás.

De forma tímida, apenas Argentina, México e Brasil apostaram na energia nuclear e outras fontes de produção, como o vento, no caso da energia eólica, ainda são usadas de forma incipientes, apesar de seu crescimento no Brasil, no México, na Costa Rica e na Argentina.

Para o diretor de Planejamento e Projetos da Organização Latino-Americana de Energia (Olade), Néstor Luna, os países latino-americanos precisam de políticas energéticas e estáveis, que diversifiquem as fontes de energia.

"A solução passa por planejar e diversificar as matrizes energéticas, considerando de forma importante a contribuição das energias renováveis", disse.

Nesse contexto, poucos se atrevem a determinar um prazo para o fim dos apagões. Enquanto isso não ocorre, milhões de latino-americanos terão que continuar comprando velas e olhando com desconfiança para a lâmpada elétrica.