sexta-feira, 14 de maio de 2010

Divisão interna mantém América Latina afastada da UE, diz 'Economist'

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (AFP/Arquivo)

Revista diz que balança do poder global começa a pender para o Brasil

A sexta Cúpula União Europeia – América Latina e Caribe, que começa na próxima terça-feira em Madri, Espanha, é tema de um artigo na edição desta semana da revista britânica The Economist.

Para a publicação, a esperança da Espanha – que atualmente ocupa a Presidência rotativa da União Europeia – de que o encontro seja marcado por um “relançamento” das relações entre o bloco e a América Latina, deve continuar sendo uma “possibilidade distante”, assim como foi nas cúpulas anteriores.

Segundo a revista, entre os principais motivos estão as divisões internas da América Latina e a crise econômica que abala a Europa.

A falta de unidade dos latino-americanos já comprometeu o sucesso dos outros encontros, lembra a Economist. O artigo acrescenta ainda que o fato de os países europeus ainda estarem mais preocupados em sair da crise econômica, é outro fator que deve dificultar o estreitamento das relações.

Ao comparar o encontro da semana que vem com os anteriores, a revista ainda afirma que muita coisa mudou: “antes a Europa estava se expandindo e a América Latina em recessão. Agora acontece o contrário”. A Economist ressalta que enquanto a relação comercial do bloco latino-americano com a China vem crescendo rapidamente, as trocas entre Europa e o continente vem se dando num ritmo mais lento.

“Além disso, o balanço do poder global está começando a se mover para países como o Brasil”.

Neste contexto, a publicação afirma que houve uma “inclinação para a esquerda” na política externa brasileira antes das eleições presidenciais, e critica o governo Lula por ter se recusado a reconhecer o presidente de Honduras, Porfírio Lobo – “eleito em um pleito razoavelmente livre” – enquanto se reúne com o governo do Irã e é “amigável” com Cuba. "Mesmo que essas relações proporcionem um benefício comercial, elas contribuirão muito pouco para a formação de uma associação estratégica entre os dois continentes."

Afirmando que “as únicas certezas” durante a cúpula são as assinaturas de acordos comerciais entre União Europeia, Peru e Colômbia, a Economist afirma que, no entanto, as discussões entre o bloco e o Mercosul “não devem chegar a lugar nenhum”, principalmente devido à resistência da França e da Argentina.

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